“Os meios através dos quais a arte se expressa e o sentimento pela vida que os estimula são inseparáveis”. Henri Matisse
"Projete sua vida 10 anos para o futuro e de lá, escreva sobre sobre você o que o cerca. Alguém, desse futuro, incitará sua memória e o levará a um flashback – de fato, o que está realmente acontecendo em sua vida no presente". Essa é a proposta feita pela professora de Redação, Maria Paula de Souza Turim, aos alunos do 2º ano do Ensino Médio, como parte do projeto "O Cinema na escola e o texto dissertativo”, desenvolvido desde o primeiro bimestre. “A ideia das atividades, nessa fase, é trabalhar matrizes textuais em filmes. Mesmo que as práticas narrativas já se encontrem aceitas e bem consolidadas é possível reconhecer, nos recursos fílmicos, partes da estrutura narrativa como as variações no tempo, por exemplo”.
Uma prática que consolide o conhecimento adquirido é a confecção de textos contendo os dois movimentos do tempo narrativo: o flashback e o flashforward. De acordo com Maria Paula, o exercício literário realizado com os alunos nessa fase das atividades possibilita aumentar a capacidade dos alunos de lerem e de interpretarem textos literários. Utilizando o vídeo como um texto, na aula, a professora pode centrar-se na compreensão, interpretação, avaliação e reconhecimento de distintos dispositivos literários. Combinando o vídeo com um texto escrito, os estudantes têm a oportunidade de aplicar novas habilidades em seus próprios escritos.
Para a professora, além de uma interessante fonte de entretenimento, o cinema pode servir como um ótimo veículo de informações, interpretações e conhecimento, em diferentes disciplinas. “Os textos apresentam mensagens subliminares, conceitos implícitos, relações pressupostas. Esses elementos geram discussões, possibilitam debates interessantes”. Depois de assistirem aos filmes, a atenção é voltada às pesquisa, abrindo espaços para debates e questionamentos.
Entre os assuntos já abordados e discutidos em sala de aula está, por exemplo, a eutanásia. Até onde vai a posse de uma pessoa sobre sua própria vida? Podem o Estado, a Igreja, ou a Família reclamar o direito de decidir, contra a vontade do indivíduo que ele deve continuar vivo? A eutanásia é um crime ou um ato de solidariedade? "Essas são algumas questões colocadas por dois filmes: Menina de Ouro e Mar Adentro. Ambos têm em comum o fato de não pretenderem ser tratados sobre o tema; nem Clint Eastwood nem Alejandro Amenábar desejam dar uma resposta definitiva para a questão da eutanásia. Querem apenas mostrar histórias particulares de indivíduos que, por uma ou outra razão, decidem que a vida não lhes serve mais". |