Educação física na infância é muito mais do que você imagina
Este ano, o esporte ganhou ainda mais destaque no mundo inteiro com as Olimpíadas de Inverno e a Copa do Mundo, dois eventos que despertam paixão, torcida e inspiração em milhões de pessoas. Quando vemos atletas competindo, superando desafios e representando os países, é impossível não pensar: tudo isso começou lá atrás, na infância.
Mas a verdade é que educação física na infância é muito mais do que formar atletas. É formar pessoas! No Colégio Anglo Sorocaba, o esporte é levado a sério, de um jeito inteligente, cuidadoso e adequado para cada fase da vida.
O começo de tudo
Na Educação Infantil, não existe campeonato de vôlei ou treino de basquete. E isso é proposital!
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) organiza o aprendizado das crianças pequenas em campos de experiências. Um deles se chama “Corpo, gestos e movimentos”. Isso mostra como o movimento é essencial no desenvolvimento infantil. A criança aprende com o corpo inteiro.
Correr, pular, rolar, equilibrar, arremessar, rastejar. Tudo isso ajuda no desenvolvimento da coordenação motora, da percepção espacial e até da autonomia.
Nessa fase, a criança ainda está desenvolvendo suas habilidades motoras básicas. Por isso, colocá-la muito cedo em um único esporte, repetindo sempre os mesmos movimentos, pode não ser o ideal. Além de ainda não ter coordenação suficiente para esportes formais, ela pode sobrecarregar articulações com movimentos repetitivos.
O mais saudável na primeira infância é experimentar, variar, descobrir possibilidades. O corpo precisa viver diferentes desafios para se desenvolver de forma equilibrada.
Educação física que faz parte do todo
No Anglo Sorocaba, a educação física na Educação Infantil não é uma aula isolada na grade. Ela é transversal. Isso significa que ela faz parte dos projetos que envolvem todas as disciplinas.
Funciona assim: quando um projeto é desenvolvido, todos os professores especialistas participam. A educação física entra com intencionalidade pedagógica, conectada ao tema trabalhado.
Um exemplo do Anglo Sorocaba é o projeto sobre uma tartaruguinha marinha. As crianças conhecem a história, aprendem sobre o habitat, veem no Google Maps onde fica a Praia do Forte, utilizam óculos de realidade virtual para “mergulhar” com as tartarugas, fazem músicas, produções artísticas com conchas e estrelas do mar.
E na educação física? O professor propõe um pega-pega em que metade da turma representa os caranguejos e a outra metade, as tartaruguinhas recém-nascidas. Durante a brincadeira, além do movimento, elas aprendem sobre predador e presa.
Isso é metodologia ativa de verdade: a criança aprende fazendo, vivendo, experimentando. O movimento tem intenção, não é só “gastar energia”.
“Quando a criança se movimenta com propósito, ela não está só brincando. Ela está construindo conhecimento, desenvolvendo habilidades sociais e aprendendo a se relacionar com o mundo”, explica a diretora geral da escola Carol Lyra.
Valorização do esporte e união com as famílias
O colégio integra o esporte transformando-o em experiência concreta para alunos e famílias. Um exemplo disso foi o “Feras na Prainha”, festa de encerramento do ano letivo da Educação Infantil e do 1º ano, que reuniu crianças, pais e responsáveis em um dia cheio prática esportiva, alegria e interação.
Durante o evento, alunos e familiares exploraram juntos as quadras de areia, se desafiaram no salto em distância, experimentaram o arremesso de peso e se divertiram com pickleball. Na quadra coberta, ping pong e totó completaram a programação. Cada atividade foi pensada para unir esporte, brincadeira e convivência, mostrando na prática que a escola coloca em ação aquilo que acredita: o esporte motiva, aproxima e proporciona uma vivência feliz para todas as idades.
Esporte
A partir do Ensino Fundamental, as práticas esportivas começam a ganhar formato mais estruturado. Aí sim entram modalidades como vôlei, basquete, futebol e outras atividades competitivas - tudo respeitando o desenvolvimento da faixa etária.
O Anglo Sorocaba conta com uma megaestrutura esportiva e oferece modalidades variadas, como atletismo e até pickleball, uma modalidade que cresce no mundo todo. Você pode conhecer mais em Pickleball | Colégio Anglo Sorocaba e nesta outra matéria sobre as aulas de atletismo.
Além disso, os alunos participam de competições internas e externas, como o JOCA e o JOQUINHA, que estimulam espírito de equipe, disciplina e respeito às regras. Saiba mais em Competições esportivas | Colégio Anglo Sorocaba.
O esporte, nessa fase, ensina muito além da técnica. Ensina a ganhar e a perder, persistência e que treino gera resultado.
Muito além da medalha
Seja na Educação Infantil ou no Ensino Fundamental, o esporte no Anglo Sorocaba tem um propósito maior: formar pessoas completas.
Ele desenvolve habilidades socioemocionais, fortalece amizades, melhora a autoestima e ajuda a criança a entender seus próprios limites e potencialidades.
Assim, educação física na infância é sobre preparar o corpo para aprender, a mente para pensar e o coração para sentir. E, a partir desse alicerce, o esporte surge como uma continuidade natural desse processo, ampliando experiências, fortalecendo valores e ensinando disciplina, cooperação e respeito.
Veja mais sobre a valorização do esporte no nosso blog: Novidades no esporte | Colégio Anglo Sorocaba e Esporte | Colégio Anglo Sorocaba.
Esportes coletivos e desenvolvimento socioemocional na escola
Esportes coletivos ensinam, na prática, o que nenhuma aula expositiva consegue transmitir com a mesma eficiência: como agir em grupo, lidar com pressão, aceitar erros e reconstruir estratégias em tempo real. Quando uma criança aprende a passar a bola no momento certo ou a reposicionar a defesa após sofrer um ponto, ela está desenvolvendo habilidades que vão muito além da técnica esportiva.
A pesquisa científica confirma o que educadores observam no dia a dia. Estudos em psicologia do desenvolvimento apontam que a prática regular de esportes coletivos fortalece competências socioemocionais como empatia, autorregulação, tolerância à frustração e capacidade de trabalho em equipe — habilidades identificadas por organizações como a OCDE e o Fórum Econômico Mundial entre as mais relevantes para o século XXI.
O que acontece dentro do jogo
Em um jogo de basquete, handebol ou futebol, o estudante enfrenta dezenas de microdecisões por minuto. Esperar a jogada certa ou arriscar agora? Chamar o colega ou conduzir sozinho? Reclamar do erro alheio ou reorganizar a marcação? Cada escolha tem consequência imediata e visível, o que torna o esporte um ambiente de aprendizado especialmente eficaz: o feedback é instantâneo e concreto.
Esse ritmo de decisões treina as chamadas funções executivas — conjunto de habilidades cognitivas que inclui planejamento, controle de impulsos, atenção seletiva e flexibilidade mental. Pesquisas da neurociência mostram que crianças e adolescentes que praticam esportes coletivos com regularidade apresentam melhor desempenho nessas funções, o que se reflete também no rendimento acadêmico.
Emoções em campo
A ansiedade antes de uma partida, a euforia de um gol e a decepção de uma derrota são experiências emocionais intensas — e por isso mesmo, pedagogicamente valiosas. O esporte oferece um contexto seguro para que crianças e adolescentes aprendam a nomear o que sentem, a regular reações e a agir com equilíbrio mesmo em situações adversas.
"A vivência esportiva ensina que o erro faz parte do processo e que a superação é construída coletivamente", afirma Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba. "Quando o estudante aprende isso na quadra, ele leva esse aprendizado para todas as outras áreas da vida", complementa.
A tolerância à frustração é uma das competências mais difíceis de desenvolver e uma das mais requisitadas na vida adulta. O esporte coloca o estudante diante da derrota de forma recorrente e estruturada, com regras claras e um contexto de recomeço garantido. Isso normaliza o fracasso como parte do processo — uma lição que extrapola qualquer modalidade.
Cooperação não é instinto, é aprendizado
Trabalhar em equipe parece simples, mas exige habilidades que precisam ser ensinadas e praticadas. No esporte coletivo, a cooperação é condição para o jogo existir. Não há vitória individual em um time de vôlei ou futsal — o resultado depende da combinação de funções, da confiança entre os jogadores e da disposição de cada um em ajustar seu papel ao que o grupo precisa.
Esse processo desenvolve no estudante a capacidade de reconhecer as habilidades do outro, de comunicar expectativas com clareza e de ceder quando necessário. São atitudes que reaparecem em trabalhos escolares em grupo, em projetos colaborativos e, mais tarde, em ambientes profissionais.
A liderança também emerge de forma natural nesse contexto — e não necessariamente recai sempre sobre o mesmo estudante. Em diferentes momentos do jogo, diferentes perfis são convocados: quem organiza a defesa, quem motiva o time após um ponto sofrido, quem propõe a mudança de tática no intervalo. Liderar e seguir com responsabilidade são habilidades que se alternam e se complementam.
A fase certa para cada experiência
A introdução aos esportes coletivos deve respeitar o desenvolvimento de cada faixa etária. Na Educação Infantil e nos primeiros anos do Ensino Fundamental, o foco está na brincadeira ativa, no repertório motor amplo e nas primeiras noções de regras e cooperação — sem cobranças de desempenho ou especialização precoce.
Nos anos finais do Fundamental e no Ensino Médio, as regras e táticas ganham complexidade, e os treinos podem ser mais estruturados. Mesmo assim, o objetivo pedagógico deve prevalecer sobre a lógica do alto rendimento. Escolas que empurram estudantes para a especialização precoce e para volumes de treino incompatíveis com a idade produzem efeitos opostos aos desejados: lesões, abandono da prática e aversão ao movimento.
A diversidade de modalidades, especialmente nas fases iniciais, é mais produtiva do que a especialização em um único esporte. Ela amplia o repertório motor, favorece a descoberta de preferências e talentos e mantém o prazer como motor da prática.
O papel da família
A postura dos pais diante do esporte influencia diretamente a relação da criança com a atividade. Pressão por vitórias, comparações com outros estudantes e expectativas de carreira profissional precoce transformam o que deveria ser prazer em obrigação — e frequentemente afastam as crianças da prática.
"O esporte na escola não é um trampolim para o profissionalismo. É um espaço de formação humana, e os pais são parceiros fundamentais nesse processo", reforça Carol Lyra.
O que mais contribui, do lado de casa, é garantir o básico: sono regular, alimentação adequada, encorajamento centrado no esforço e no aprendizado — não no placar — e interesse genuíno pelo processo. Perguntar "o que você aprendeu hoje?" em vez de "vocês ganharam?" já muda a perspectiva da criança sobre o que está em jogo.
Além da quadra
Os efeitos do esporte coletivo não ficam restritos aos momentos de jogo. Estudantes que vivenciam cooperação esportiva tendem a colaborar de forma mais organizada em atividades escolares, distribuindo funções, respeitando combinados e assumindo responsabilidades com mais naturalidade.
A autoconfiança construída a partir de evidências concretas de progresso — um fundamento que melhorou, uma jogada executada com precisão, uma liderança exercida com eficácia — protege contra o desânimo e fortalece o vínculo do estudante com a escola. E o pertencimento escolar, como mostram estudos na área, é um dos fatores mais consistentemente associados à redução da evasão e ao engajamento acadêmico.
Quando os esportes coletivos ocupam um lugar consistente na rotina escolar, a quadra deixa de ser apenas um espaço de recreação e passa a ser um dos ambientes mais ricos de aprendizagem que a escola pode oferecer.
Para saber mais sobre esportes, visite https://institutopensi.org.br/a-importancia-dos-jogos-coletivos-para-as-criancas-e-adolescentes/ e https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/03/25/mais-saude-menos-telas-beneficios-de-esportes-coletivos-para-adolescentes.htm
Como o erro se transforma em ferramenta de aprendizagem na educação
Crianças e adolescentes não aprendem em linha reta. O processo de construção do conhecimento envolve tentativas, ajustes e recomeços. Quando um estudante erra, ele não fracassa: revela como está pensando, quais hipóteses está testando e onde precisa de apoio. Essa leitura do erro como etapa natural da aprendizagem transforma a sala de aula em espaço de investigação, não de julgamento.
Durante décadas, o modelo escolar brasileiro privilegiou a verificação isolada de resultados. Provas e notas serviam para classificar, comparar e premiar quem acertava na primeira tentativa. Esse sistema criou efeitos conhecidos: medo de se expor, redução da curiosidade e uma relação instrumental com o estudo. Alunos aprendiam para "passar", não para compreender. O erro virava rótulo, não pista para intervenção pedagógica.
A mudança começa quando a escola substitui a lógica da punição pela lógica do diagnóstico. A avaliação continua necessária, mas com outra finalidade: identificar como cada estudante raciocina, qual conceito ainda não se consolidou e qual situação pode provocar avanço real. Essa abordagem não elimina critérios nem relativiza objetivos. Pelo contrário, torna o rigor possível sem humilhação.
Teoria que sustenta a prática
A psicologia do desenvolvimento oferece fundamentos sólidos para essa mudança. Jean Piaget demonstrou que a aprendizagem acontece quando a pessoa assimila informações novas aos esquemas que já possui ou quando acomoda esses esquemas para lidar com situações que não se ajustam ao que sabia. O desequilíbrio diante do erro funciona como gatilho para reorganizar o pensamento.
Lev Vygotsky, por sua vez, apresentou o conceito de zona de desenvolvimento proximal: o espaço entre o que o estudante consegue fazer sozinho e o que consegue realizar com apoio. O professor atua nesse intervalo, oferecendo perguntas, exemplos e desafios que ampliam as possibilidades do aluno. Esses dois referenciais não competem. Juntos, sustentam uma prática que respeita ritmos individuais e, ao mesmo tempo, provoca desafios possíveis.
"Quando compreendemos que o erro revela o raciocínio em construção, deixamos de ver o engano como problema e passamos a usá-lo como ferramenta de ensino", afirma Carol Lyra, diretora geral do Colégio Anglo Sorocaba. Essa perspectiva exige do professor a habilidade de escutar como os alunos pensam, identificar padrões e ajustar intervenções.
Diferentes tipos de erro pedem diferentes respostas
Nem todo engano tem a mesma natureza. Há erros de atenção, que desaparecem quando o estudante revisa com calma. Há equívocos de interpretação do enunciado, que exigem treino em compreensão de texto. Há falhas conceituais, que pedem retomada do conteúdo com outras explicações. E existem os erros construtivos, nos quais o aluno usa lógica coerente com o que sabe para resolver problemas novos.
Nesse último caso, o papel do professor muda. Em vez de apenas corrigir, ele valoriza a hipótese do estudante, mostra seus limites e propõe comparações que levam ao refinamento da ideia. Essa interação transforma o erro em material de estudo e ensina o aluno a pensar sobre o próprio pensamento.
A troca entre pares acelera esse processo. Quando grupos debatem soluções, cada participante precisa argumentar, ouvir o outro e revisar escolhas. O ambiente deixa de premiar o "acerto de primeira" e passa a valorizar a consistência do raciocínio. Com menos receio de errar em público, os estudantes testam, perguntam e tentam novamente.
Avaliação formativa no lugar da verificação isolada
Para que o erro se torne instrumento de aprendizagem, a escola precisa revisar sua cultura avaliativa. Provas continuam úteis, mas não podem ser o único recurso. Trabalhos de projeto, produções escritas, explicações orais e devolutivas curtas ao longo do bimestre formam um retrato mais fiel do percurso de cada aluno.
O feedback objetivo ocupa o centro dessa mudança. Uma devolutiva que mostra onde o raciocínio funcionou e onde precisa de ajuste orienta o próximo passo. Comentários vagos desmotivam. Comentários precisos ensinam. Quando a escola organiza rotinas regulares de devolutiva, a sala se torna mais participativa e o estudo em casa ganha direção.
A nota final, quando necessária por exigência institucional, passa a ser síntese de um percurso acompanhado, não veredito isolado. O estudante entende o que já domina, o que ainda não domina e o que pode fazer para avançar. Essa clareza desenvolve autorregulação: a capacidade de controlar impulsos, revisar etapas críticas e decidir quando pedir ajuda.
Ganhos que ultrapassam o conteúdo
Os benefícios comportamentais e socioemocionais são evidentes. Ao lidar com o erro de forma orientada, os estudantes desenvolvem tolerância à frustração. Percebem que a dificuldade é estágio, não sentença. Fortalecem autoconfiança ao notar progresso mensurável. Aprendem a regular emoções em momentos de prova, apresentação ou conflito.
A motivação também se transforma. Quando o estudo faz sentido, o engajamento deixa de ser puramente externo. Projetos e práticas conectam teoria e ação. O estudante enxerga a utilidade do que aprende e se interessa pelo processo, não apenas pelo resultado imediato. Essa lógica pode transitar para qualquer disciplina, desde que a proposta didática convide ao raciocínio e permita diferentes caminhos para chegar à resposta.
A mudança de cultura também protege a autoestima. Quando o erro deixa de etiquetar pessoas e passa a qualificar respostas, a comparação improdutiva perde força. Os alunos se veem como autores em processo e reconhecem o valor do esforço contínuo. Isso reduz ansiedade crônica antes de avaliações e melhora o clima de sala.
Parceria entre família e escola
Pais e responsáveis influenciam a relação da criança com o erro quando reagem com calma, pedem que o filho explique o que tentou fazer e valorizam a persistência. A conversa em casa não precisa transformar pais em professores. Basta que o adulto se interesse, ajude a organizar a rotina e evite rótulos.
Dizer que alguém "não nasceu para matemática" ou "é ruim de redação" cristaliza identidades e limita escolhas. Dizer que um conteúdo ainda não ficou claro, propor retomadas curtas e acompanhar prazos ajuda a construir constância. Perguntas simples sobre o que foi aprendido no dia e sobre o que precisa de reforço sustentam o acompanhamento familiar.
O professor, por sua vez, ajusta a intervenção ao nível de autonomia do estudante. Em alguns casos, uma pergunta dispara a revisão. Em outros, é preciso modelar um procedimento e convidir a turma a repetir com variações. A clareza sobre o objetivo de aprendizagem do dia faz diferença. Quando a turma sabe o que está tentando alcançar, fica mais fácil entender por que determinada resposta ainda não atende ao critério.
Gestão escolar que sustenta a mudança
A gestão pode apoiar essa transformação ao criar rotinas que sustentem o acompanhamento. Reuniões pedagógicas focadas em análise de produções dos alunos, combinadas com momentos de planejamento conjunto, alinham expectativas. Políticas internas que reservem tempo para devolutivas mostram que a instituição leva a sério a avaliação formativa.
Quando o calendário pressiona apenas por número de provas e prazos de lançamento de notas, a prática formativa perde espaço. Quando o calendário protege momentos de observação, feedback e recuperação, a aprendizagem melhora. A escola que ensina apenas para testes padronizados empobrece a experiência dos alunos e desvaloriza competências que não cabem em prova única.
A linguagem emocional que circula nos corredores também importa. Deboche e ironia bloqueiam a participação. O caminho oposto não é ambiente permissivo, mas ambiente respeitoso, com limites claros e abertura para perguntar. O estudante entende que pode errar no processo, mas também entende que deverá revisar, reescrever e apresentar novamente quando necessário.
Professores que também aprendem com erros
A escola que assume essa postura humaniza o professor. Docentes erram. Planejam atividades que não funcionam, subestimam o tempo, escolhem exemplos pouco claros. Quando admitem equívocos e mostram como corrigem, dão exemplo de responsabilidade intelectual. O aluno aprende que conhecimento é construção coletiva e que qualquer adulto sério revê posição diante de bons argumentos.
Na prática, a transformação começa com gestos simples. O professor devolve uma avaliação com comentários específicos e convida a turma a refazer apenas a parte em que houve falha conceitual. A equipe de área combina critérios comuns de qualidade e compartilha com os alunos antes da atividade. A escola cria espaço regular para revisão, com apoio de plantões ou tutoria.
Com o tempo, a própria turma passa a identificar padrões de erro. Alunos notam que caem nos mesmos tropeços e criam estratégias de checagem. Esse "olhar para o próprio erro" é o início da autorregulação. O estudante aprende a controlar o impulso de responder rápido, a revisar uma etapa crítica e a decidir quando pedir ajuda. Essa habilidade vale para a vida toda.
O resultado compensa. Salas mais engajadas, alunos mais autônomos e professores mais próximos do pensamento da turma formam um ciclo virtuoso. A escola ensina conteúdos, mas ensina também como aprender, como pensar criticamente, como lidar com frustração, como insistir com método. O estudante sai preparado para enfrentar situações novas porque praticou exatamente isso: formular hipóteses, testar, errar, ajustar e seguir.
Para saber mais sobre aprendizagem, visite https://brasil.bettshow.com/bett-blog/pedagogia-erro e https://institutoayrtonsenna.org.br/aprender-errando-como-a-resiliencia-emocional-contribui-para-a-motivacao-para-aprender/